December 04, 2015
Reduzir a ociosidade é o caminho mais rápido para diminuir a escalada de custos com armazenagem e transportes de mercadorias no país, avaliam empresários e entidades representativas dos operadores logísticos brasileiros. E uma preocupação mais do que justa, segundo Celso Queiroz, vice-presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog). "A ociosidade dos ativos dos operadores logísticos é muita alta e está disseminada em todas as áreas da infraestrutura de armazéns, frota de veículos, equipamentos diversos e o próprio quadro de colaboradores. Há espaços para racionalizar fluxos e eliminar espaços ociosos nos transportes e diferentes modais. Este é o grande desafio", sustenta Queiroz.
O momento atual, com a economia em retração, é mais do que adequado para que operadores e clientes revisem suas planilhas de custos visando eliminar desperdícios com os serviços logísticos prestados, afirma Fernando Simões, presidente da JSL, maior operadora logística brasileira no modal rodoviário, com faturamento de RS 6 bilhões no ano passado.
"Com a economia em crise, as empresas querem rever seus processos de produção para buscar ganhos e melhor competitividade. Querem rever seus custos logísticos e procuram soluções customizadas", diz o executivo. Simões cita exemplos da indústria de alimentos, na qual a JSL apresenta projetos baseados na análise de toda a cadeia produtiva dos clientes. "Oferecemos soluções integradas, que incluem desde a operação e gestão de insumos e matéria-prima, movimentação interna, dentro das fábricas, armazenagem e transporte Final para o consumidor. Isso nos dá ganho de escala e melhor custo-benefício aos clientes", destaca.

Guilherme Gatti, FedEx Express Latin America & Caribbean
A determinação da empresa em buscar relacionamentos de longo prazo com os clientes, diversificar negócios e atender à demanda cada vez maior dos clientes em contratar serviços terceirizados de logística para cortar custos deu bons resultados nos últimos anos e deve continuar rendendo bons frutos neste ano, diz Simões. No segundo trimestre, por exemplo, a receita bruta do grupo fechou em RS 1,65 bilhão, um aumento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2014. Só na área dos ativos, a receita da empresa cresceu 16,5%, atingindo um faturamento de RS 1,18 bilhão.
O grupo conta hoje com 24 mil colaboradores e uma frota de mais de 7,5 mil caminhões próprios, além de contratar serviços cie carga de terceiros no valor de RS 150 milhões. "Temos mais de 50 mil ativos envolvidos na logística, entre armazéns, caminhões, máquinas-empilhadeiras e cerca de 200 filiais no Brasil."
Na FedEx, a revisão de custos é um processo contínuo, garante Guilherme Gatti, diretor de marketing e comunicação da divisão América Latina e Caribe. "Temos grupos de trabalho focados em otimização de processos, visando manter a competitividade de nossos serviços." Segundo ele, embora a economia esteja um pouco lenta, alguns segmentos, como e-commerce, continuam crescendo de forma mais moderada. "Acreditamos que, com o reaquecimento da economia, o setor de health care deve reagir rapidamente. Já os segmentos de bens de consumo devem crescer quando houver melhora das condições de crédito para os consumidores." A ociosidade nos transportes, de todo modo, com as dificuldades da economia, é bem evidente, segundo Gatti. "Pesquisa recente da NTC&Logística mostra que cerca de cem mil caminhões não estão rodando pelas estradas e rodovias do Brasil", diz.
Para aumentar a competitividade, a FedEx Express tem investido em tecnologia na operação brasileira desde a compra do Rapidão Cometa, uma das maiores empresas de transporte e logística do país, com faturamento de US$ 500 milhões em 2011.
"Trabalhamos com sistemas integrados de logística e transporte e parte dos nossos projetos são para a customização de serviços para grandes contas. Contamos com a expertise internacional da FedEx no desenvolvimento de plataformas para desenvolver soluções para o serviço doméstico", afirma Gatti. O melhor aproveitamento das malhas aérea e rodoviária é uma das prioridades da FedEx, segundo ele. No serviço internacional, a empresa opera com um sistema de bloqueio que reserva espaço para pacotes e cargas embarcados no Brasil nas aeronaves em todas as etapas do transporte, em qualquer lugar do mundo - o que ajuda a cumprir o compromisso de entregar no horário combinado com o cliente. "Temos um sistema de gestão de rotas terrestres, que identifica ociosidade em rotas e envia os dados para a área comercial, permitindo que se realize um trabalho direcionado para preencher espaços disponíveis nos caminhões, melhorando o aproveitamento do veículo."
Para a DHLSuppIy Chain, que faz parte da divisão de logística e transportes do Deutsche Post DHL Groupp, a estratégia é conciliar questões como flexibilidade e nível de serviço, confiabilidade da operação e garantia da integridade da carga na busca dos ajustes necessários. "Ao se analisar a cadeia logística como um todo, pode-se identificar os pontos mais críticos e buscar alternativas. Notamos uma tendência por maior revisão de processos de armazenagem e transporte", diz Javier Bilbao, CEO da DHL Supply Chain no Brasil. Além disso, assinala ele, a empresa executa um programa de excelência operacional com foco na gestão de produtividade.
"Obviamente, o cenário econômico atual afeta o mercado logístico, mas a vantagem que a DHL tem é que atua em diversos setores, como saúde, varejo, consumo, tecnologia, automotivo. Vemos como uma oportunidade para conquistar novos clientes, porque eles procuram um parceiro logístico confiável que tenha experiência global e conhecimento local para desafiar o modelo logístico, ganhar produtividade e melhorar os níveis de serviço e atendimento a seus clientes, nos posicionando como parceiros estratégicos", afirma.
Segundo Bilbao, a DHL investe de forma contínua e consistente no desenvolvimento de novos processos
e sistemas. "Globalmente, dentro de nossa estratégia 2020, investimos na padronização de processos e sistemas por meio de um gerenciamento de operações comum, que visa, entre outros, promover um melhor compartilhamento de best practices entre as diversas operações da DHL em todo o mundo. Esse investimento visa à redução de trabalho administrativo, liberando mais tempo de nossos colaboradores para o engajamento junto aos clientes", conta. No Brasil, o destaque são tecnologias vveb-based e de rastreamento que permitem uma maior visibilidade do processo logístico e em real time.
O investimento em tecnologia também é o ponto forte da francesa FM Logistic, que atua com quatro unidades operacionais (duas em São Paulo, uma no Rio de janeiro e outra no Rio Grande do Sul), 1,5 mil colaboradores e uma receita prevista de US$ 60 milhões para este ano. Em 2014, a empresa importou da matriz o Fast Multi Order Process (FMOP), tecnologia criada para otimizar o tempo de deslocamento dos preparadores de pedidos, principalmente em quantidades pequenas. Criado em 2011 na Rússia, o equipamento funciona no centro de distribuição Anhanguera (SP). "Com isso, a empresa ganhou mais de 30% de agilidade e segurança", diz Michele Cohonner, presidente da operação no Brasil.
A FM Logistic trouxe, neste ano, a tecnologia Fast Preparation Order Process (FPOP), um software preparador especial para pedidos maiores, que indica se os produtos estão armazenados corretamente dentro das caixas, evitando sobrecarga e perda de materiais. Mas a grande novidade da companhia, segundo Michele, é a chegada ao país, neste ano, do setor de transportes da FM Logistic, composta no mundo por uma frota de 2,5 mil veículos próprios e responsável por um faturamento de 350 milhões de euros (30% do faturamento total da empresa). "Com essa iniciativa, acreditamos que a performance irá aumentar consideravelmente", afirma.
No setor de cargas fracionadas expressas, que representa 15% do movimento total da operação de logística no Brasil, o plano dos operadores passa também pela otimização dos recursos para reduzir custos. Uma das principais apostas é o investimento na tecnologia e na infraestrutura da rede de atendimento no país. "Nos últimos anos, investimos pesado em tecnologia, aplicada aos clientes e internamente, para otimizar e integrar nossas operações", diz Ignácio Garat, presidente da TNT no Brasil.
A empresa tem uma das maiores malhas terrestres rodoviária fracionada no Brasil, com cerca de cinco mil veículos, 50 mil funcionários e pontos de presença em 5,4 mil municípios brasileiros. "Concentramos foco em segmentos que trazem mais sinergia dentro da companhia, como o farmacêutico, de alta tecnologia, calçados, moda, confecções e têxtil, além dos setores metalúrgico e automotivo, que já são clientes tradicionais", destaca. "Nessa linha, vamos continuar crescendo", diz.
Com cerca de 160 empresas dos mais diferentes tamanhos em operação, atuando em diversos nichos de negócios, que respondem por um faturamento de RS 44,5 bilhões (dados de 2013 que representam uma média de diferentes levantamentos realizados por várias instituições do mercado), o ambiente dos operadores logísticos reage de maneira pouco uniforme, analisa Carlos César Meireles Vieira Filho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol). "Alguns setores que contratam serviços logísticos, como o automotivo, por exemplo, apresentam neste ano queda acentuada de seus negócios, enquanto outros recebem um impacto mais brando, como farmacêutico e de cosméticos, que está reagindo muito positivamente." A retração da economia, portanto, pode ser, segundo ele, uma oportunidade para que as empresas revejam seus custos em toda a cadeia de valor e busquem mais eficiência por meio de processos de terceirização com os operadores logísticos. "Esta é a hora de trocar ineficiências por eficiência e mais capacitação a partir de novas tecnologias", destaca.
Por: Genilson Cezar
Source: Valor Setorial Logística
O momento atual, com a economia em retração, é mais do que adequado para que operadores e clientes revisem suas planilhas de custos visando eliminar desperdícios com os serviços logísticos prestados, afirma Fernando Simões, presidente da JSL, maior operadora logística brasileira no modal rodoviário, com faturamento de RS 6 bilhões no ano passado.
"Com a economia em crise, as empresas querem rever seus processos de produção para buscar ganhos e melhor competitividade. Querem rever seus custos logísticos e procuram soluções customizadas", diz o executivo. Simões cita exemplos da indústria de alimentos, na qual a JSL apresenta projetos baseados na análise de toda a cadeia produtiva dos clientes. "Oferecemos soluções integradas, que incluem desde a operação e gestão de insumos e matéria-prima, movimentação interna, dentro das fábricas, armazenagem e transporte Final para o consumidor. Isso nos dá ganho de escala e melhor custo-benefício aos clientes", destaca.

Guilherme Gatti, FedEx Express Latin America & Caribbean
A determinação da empresa em buscar relacionamentos de longo prazo com os clientes, diversificar negócios e atender à demanda cada vez maior dos clientes em contratar serviços terceirizados de logística para cortar custos deu bons resultados nos últimos anos e deve continuar rendendo bons frutos neste ano, diz Simões. No segundo trimestre, por exemplo, a receita bruta do grupo fechou em RS 1,65 bilhão, um aumento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2014. Só na área dos ativos, a receita da empresa cresceu 16,5%, atingindo um faturamento de RS 1,18 bilhão.
O grupo conta hoje com 24 mil colaboradores e uma frota de mais de 7,5 mil caminhões próprios, além de contratar serviços cie carga de terceiros no valor de RS 150 milhões. "Temos mais de 50 mil ativos envolvidos na logística, entre armazéns, caminhões, máquinas-empilhadeiras e cerca de 200 filiais no Brasil."
Para aumentar a competitividade, a FedEx Express tem investido em tecnologia na operação brasileira desde a compra do Rapidão Cometa, uma das maiores empresas de transporte e logística do país, com faturamento de US$ 500 milhões em 2011.
"Trabalhamos com sistemas integrados de logística e transporte e parte dos nossos projetos são para a customização de serviços para grandes contas. Contamos com a expertise internacional da FedEx no desenvolvimento de plataformas para desenvolver soluções para o serviço doméstico", afirma Gatti. O melhor aproveitamento das malhas aérea e rodoviária é uma das prioridades da FedEx, segundo ele. No serviço internacional, a empresa opera com um sistema de bloqueio que reserva espaço para pacotes e cargas embarcados no Brasil nas aeronaves em todas as etapas do transporte, em qualquer lugar do mundo - o que ajuda a cumprir o compromisso de entregar no horário combinado com o cliente. "Temos um sistema de gestão de rotas terrestres, que identifica ociosidade em rotas e envia os dados para a área comercial, permitindo que se realize um trabalho direcionado para preencher espaços disponíveis nos caminhões, melhorando o aproveitamento do veículo."
Para a DHLSuppIy Chain, que faz parte da divisão de logística e transportes do Deutsche Post DHL Groupp, a estratégia é conciliar questões como flexibilidade e nível de serviço, confiabilidade da operação e garantia da integridade da carga na busca dos ajustes necessários. "Ao se analisar a cadeia logística como um todo, pode-se identificar os pontos mais críticos e buscar alternativas. Notamos uma tendência por maior revisão de processos de armazenagem e transporte", diz Javier Bilbao, CEO da DHL Supply Chain no Brasil. Além disso, assinala ele, a empresa executa um programa de excelência operacional com foco na gestão de produtividade.
"Obviamente, o cenário econômico atual afeta o mercado logístico, mas a vantagem que a DHL tem é que atua em diversos setores, como saúde, varejo, consumo, tecnologia, automotivo. Vemos como uma oportunidade para conquistar novos clientes, porque eles procuram um parceiro logístico confiável que tenha experiência global e conhecimento local para desafiar o modelo logístico, ganhar produtividade e melhorar os níveis de serviço e atendimento a seus clientes, nos posicionando como parceiros estratégicos", afirma.
Segundo Bilbao, a DHL investe de forma contínua e consistente no desenvolvimento de novos processos
e sistemas. "Globalmente, dentro de nossa estratégia 2020, investimos na padronização de processos e sistemas por meio de um gerenciamento de operações comum, que visa, entre outros, promover um melhor compartilhamento de best practices entre as diversas operações da DHL em todo o mundo. Esse investimento visa à redução de trabalho administrativo, liberando mais tempo de nossos colaboradores para o engajamento junto aos clientes", conta. No Brasil, o destaque são tecnologias vveb-based e de rastreamento que permitem uma maior visibilidade do processo logístico e em real time.
O investimento em tecnologia também é o ponto forte da francesa FM Logistic, que atua com quatro unidades operacionais (duas em São Paulo, uma no Rio de janeiro e outra no Rio Grande do Sul), 1,5 mil colaboradores e uma receita prevista de US$ 60 milhões para este ano. Em 2014, a empresa importou da matriz o Fast Multi Order Process (FMOP), tecnologia criada para otimizar o tempo de deslocamento dos preparadores de pedidos, principalmente em quantidades pequenas. Criado em 2011 na Rússia, o equipamento funciona no centro de distribuição Anhanguera (SP). "Com isso, a empresa ganhou mais de 30% de agilidade e segurança", diz Michele Cohonner, presidente da operação no Brasil.
A FM Logistic trouxe, neste ano, a tecnologia Fast Preparation Order Process (FPOP), um software preparador especial para pedidos maiores, que indica se os produtos estão armazenados corretamente dentro das caixas, evitando sobrecarga e perda de materiais. Mas a grande novidade da companhia, segundo Michele, é a chegada ao país, neste ano, do setor de transportes da FM Logistic, composta no mundo por uma frota de 2,5 mil veículos próprios e responsável por um faturamento de 350 milhões de euros (30% do faturamento total da empresa). "Com essa iniciativa, acreditamos que a performance irá aumentar consideravelmente", afirma.
No setor de cargas fracionadas expressas, que representa 15% do movimento total da operação de logística no Brasil, o plano dos operadores passa também pela otimização dos recursos para reduzir custos. Uma das principais apostas é o investimento na tecnologia e na infraestrutura da rede de atendimento no país. "Nos últimos anos, investimos pesado em tecnologia, aplicada aos clientes e internamente, para otimizar e integrar nossas operações", diz Ignácio Garat, presidente da TNT no Brasil.
A empresa tem uma das maiores malhas terrestres rodoviária fracionada no Brasil, com cerca de cinco mil veículos, 50 mil funcionários e pontos de presença em 5,4 mil municípios brasileiros. "Concentramos foco em segmentos que trazem mais sinergia dentro da companhia, como o farmacêutico, de alta tecnologia, calçados, moda, confecções e têxtil, além dos setores metalúrgico e automotivo, que já são clientes tradicionais", destaca. "Nessa linha, vamos continuar crescendo", diz.
Com cerca de 160 empresas dos mais diferentes tamanhos em operação, atuando em diversos nichos de negócios, que respondem por um faturamento de RS 44,5 bilhões (dados de 2013 que representam uma média de diferentes levantamentos realizados por várias instituições do mercado), o ambiente dos operadores logísticos reage de maneira pouco uniforme, analisa Carlos César Meireles Vieira Filho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol). "Alguns setores que contratam serviços logísticos, como o automotivo, por exemplo, apresentam neste ano queda acentuada de seus negócios, enquanto outros recebem um impacto mais brando, como farmacêutico e de cosméticos, que está reagindo muito positivamente." A retração da economia, portanto, pode ser, segundo ele, uma oportunidade para que as empresas revejam seus custos em toda a cadeia de valor e busquem mais eficiência por meio de processos de terceirização com os operadores logísticos. "Esta é a hora de trocar ineficiências por eficiência e mais capacitação a partir de novas tecnologias", destaca.
Por: Genilson Cezar
Source: Valor Setorial Logística

